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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O que garante o futuro da Igreja?

Lc 7.18-35
Nesta mensagem vamos refletir sobre a pergunta: “O que garante o futuro da Igreja?”
Os judeus imaginavam que era a consanguineidade.
Pedro, diante da prisão do mestre, imaginou que a espada garantiria o futuro da igreja. Jesus porém diz: “Guarde a sua espada, pois quem usa uma espada será morto por uma espada.
Mesmo assim, ao longo da história da igreja vemos como em muitas ocasiões homens, julgando-se cristãos, pegaram em espadas, recorreram à força, para conquistar um bom futuro para a igreja.
Durante os três primeiros séculos a igreja cristã foi perseguida e algumas pessoas imaginaram que seria o fim da igreja, porém Deus fortaleceu e levantou homens para garantir o futuro de sua instituição.
A situação mudou com Constantino. Pois este começou a apoiar os cristãos fazendo jogo de conveniência política para poder assumir todo o poder do império. Para a batalha decisiva, ele trocou a águia das bandeiras pela cruz, conforme a lenda.
Ele venceu de fato, e aos poucos assumiu todo o poder do Império. E a igreja, até então perseguida pelo império, começou a contar com os favores do imperador e se aproveitar delas.
Não sabemos se Constantino foi cristão de fato, mas a história diz que ele foi batizado no leito de morte.
O que decorre desta história é uma série de concessões entre igreja e estado ou estadistas, que veio a dar início à era das trevas da igreja (foi como ficou conhecida a idade média da igreja). Isto aconteceu por que como diz o dito popular “O poder corrompe”. E a igreja viveu os seus piores dias. Pessoas do tempo diziam que seria a época de ouro da igreja, pois não estavam mais sob perseguição, mas o que aconteceu foi o contrário.
É a Reforma Luterana, no século 16, que novamente estabelece regras claras, a partir da e não dos símbolos da fé cristã para impor um reino secular, ou querer garantir o futuro da Igreja pela força de armas ou pelo poder....
Em nossa época também há tentativas de se garantir o futuro da Igreja. Precisamos pôr uma líderes cristãos no poder (bancada de deputados que só traz vergonha)...
É a aplicação de métodos de marketing e de psicologia para convencer as pessoas da superioridade desta ou daquela religião, seita ou igreja.
São as promessas levianas e imediatas de cura e da solução de todos os problemas em nome de Cristo, ou por meio de símbolos cristãos. É a teologia da prosperidade que cultua novamente o Deus da Riqueza e da Fertilidade de tempos bíblicos, que querem garantir o futuro da Igreja.
E o curioso é que estes movimentos despertam também entre os fieis cristãos dúvidas e os atraem! Observa-se que esta ou aquela igreja está crescendo tão rapidamente, ou que esta ou aquela pessoa ou família está tendo tanto sucesso na vida por terem adotadas aquela religião nova. Não estaria com aquela religião o futuro da Igreja? Não seria a prosperidade um sinal da intervenção do “Deus Altíssimo dos cristãos”?
Irmãos, somente podemos, humildemente, dizer com o apóstolo Paulo: “Aquele que pensa estar de pé é melhor ter cuidado para não cair!” 1. Co 10.12.
E assim queremos agora assimilar um pouco o texto do evangelho de hoje. Este texto aponta para João Batista e sua missão: pregar o ARREPENDIMENTO como receita para garantir o futuro da Igreja. Jesus dele falou – é o maior no reino de Deus.
João Batista chama ao arrependimento, a mudança de vida, como receita para ter um futuro.
Este chamado de João Batista visa também encaminhar as pessoas a Jesus, que por sua vez iniciou seu ministério público da mesma forma.
Pois em Jesus, na sua Palavra e na sua obra, Deus manifesta definitivamente a sua santa vontade e o seu amor. E o convite ao arrependimento é o convite para o caminho seguro – é a mensagem verdadeira a ser pregada.
É somente neste caminho do arrependimento que Deus completa a sua boa obra que começou ao integrar as pessoas na Igreja de Cristo, pelo evangelho, pelo batismo e pela fé.
Por isso devemos ainda falar hoje da alegria do arrependimento.
Precisamos encontrar a alegria do perdão na Absolvição e na Santa Ceia. Pois todos nós necessitamos constantemente do abraço amoroso do Pai, que nos deu a vida e que nos assegura um futuro seguro em Cristo.
Por isso cristãos sempre de novo precisam ouvir e avaliar a Palavra do Senhor que os orienta no caminho da vida e que assim orienta o caminho seguro da sua Igreja. Com esta finalidade cristãos sempre de novo cultivam também a comunhão com os irmãos.
O novo lema da nossa Igreja: “CRISTO PARA TODOS - Compartilhando experiências da VIDA COM DEUS” quer focalizar isto.
Sim, é principalmente neste encontro semanal dos arrependidos que Jesus Cristo cumpre as suas promessas quanto ao futuro da sua Igreja. Ele nos fortalece na fé e nos capacita para a vida, restituindo em nós a alegria do viver, em meio a um mundo sem perspectiva segura.
Irmãos e irmãs em Cristo:

Voltando sempre de novo para Deus a Igreja Cristã tem futuro e é invencível.

Que Deus fortaleça a nossa fé para crermos em suas promessas e para enxergarmos sempre em Jesus Cristo os sinais de seu eterno amor e comprometimento conosco. Amém.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PRECISAMOS FAZER FAXINA

       Todos os anos ao nos aproximarmos do Natal, nos preocupamos com preparativos especiais e dentre eles a famosa faxina geral – aquela que se arrasta tudo pra fora de casa e fica-se um dia inteiro tirando poeiras (que quase vivaram lama), teias de aranha, paredes riscadas, etc. Lembrando destes preparativos e, em especial da faxina, vamos olhar para o texto do evangelho deste dia. 
      Esta leitura nos coloca frente a frente com João Batista, o precursor do Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que veio preparar o caminho do Senhor. Ele falou com toda clareza a respeito de Jesus, apontando para ele como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Colocou-se diante dele como um humilde servo que não era digno de desatar-lhe as correias das sandálias, mas que realizou seu trabalho fielmente.
     Para preparar o povo para a vinda de Cristo, ele pregava batismo de arrependimento – ou seja, João Batista pregava para que o povo se arrependesse dos seus pecados e aqueles que reconheciam os seus pecados, se arrependiam e criam, eram por ele batizados.
    O chamado ao arrependimento não permite uma atitude hipócrita, de alguém que ouve a palavra, quer ser batizado, mas que não tem o seu coração transformado e, portanto, não quer viver de acordo com a palavra de Deus. A esses, João Batista chama de raça de víboras e os conclama a produzir frutos dignos de arrependimento.
    Para esses não adiantava nada dizerem que são filhos de Abraão, pois das próprias pedras, Deus, em seu poder, poderia suscitar filhos a Abraão. Para aquele que se recusa a atender o chamado de Deus ao arrependimento, Deus vem a ele de forma dura, na lei, e é por isso que João Batista fala do machado que está posto não junto ao caule, mas à raiz das árvores. Portanto, quem se diz cristão, mas não produz os frutos do verdadeiro arrependimento, será cortado e lançado ao fogo.
    Para aquelas pessoas que o procuravam, pedindo orientações para a nova vida, João Batista foi muito claro quando disse: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; quem tiver comida, faça o mesmo. Para os cobradores de impostos, João Batista disse Não cobrem mais que o estipulado. Para os soldados, ele disse: Não maltratem ninguém, não dêem denúncia falsa, fiquem contentes com o seu salário. Esse texto relata a misericórdia de Deus: Deus quer que todos sejam salvos e, por isso, envia João Batista, para preparar o caminho para a chegada de Cristo, apontando para o arrependimento, como o melhor preparo para receber o Salvador Jesus. O arrependimento comparamos à faxina de final de ano como preparativo para o natal e para a segunda vinda de Cristo. Portanto, baseados nele, queremos meditar sobre o tema: Precisamos fazer faxina.
      Qual é a nossa reação quando Deus nos chama a fazer uma faxina em nossa vida, tirar as teias de aranha escondidas (confessar pecados ocultos, nos arrepender e mudar de vida)? Será que a nossa reação é apontar os defeitos, os pecados dos outros e, assim, tentar tornar o nosso pecado menos grave, menos sério, e dar a aparência que somos melhores do que os outros? Às vezes fazemos isso. Dizemos a minha casa está limpa, não tem nada de sujeira, mas na faxina geral podemos verificar que não é bem assim. Estamos vivendo numa época em que se fala do pecado como um mal coletivo, pecado social, se critica as coisas que vão mal na sociedade, no mundo; mas será que olhamos para o nosso pecado como erro grave diante de Deus, reconhecemos as nossas culpas e assumimos que, muitas vezes e das mais diversas maneiras, transgredimos a lei de Deus?
Qual foi a reação das pessoas que ouviram a pregação de João Batista? Será que elas acharam que estava tudo bem na sua vida? Houve um grupo de pessoas que se sentiu muito ofendido com a pregação de João Batista. Imaginem só, João estava dizendo que eles eram raça de víboras, e eles argumentaram dizendo que eram filhos de Abraão. João contra-argumenta, dizendo que das próprias pedras Deus poderia fazer filhos de Abraão. Isso significa que, para Deus, nenhuma credencial substitui o arrependimento sincero e a confiança de coração na sua graça. Uma faxina geral é necessária.
    E nós, como reagimos diante da pregação de João Batista? Não é assim que, por vezes, pensamos que está tudo bem na nossa vida e que, portanto, não há necessidades de repreensões da lei, não há necessidade de arrependimento, não há necessidade de mudança de atitude e de vida? Para quem pensa assim, Lutero diz: Examina o seu estado à luz dos dez mandamentos: Se és pai, mãe, filho, filha, patrão, empregado, se foste desobediente, infiel, negligente, irado, licencioso, contencioso, se fizeste mal a alguém em palavras e ações, se roubaste, descuraste ou cometeste algum dano.
     Quando nós fazemos uma avaliação da nossa vida à luz dos 10 mandamentos, fica claro diante dos nossos olhos como nós somos falhos e como nós precisamos nos arrepender e mudar de vida, caso isso não aconteça, se continuarmos a rejeitar o chamado de Deus ao arrependimento, lembremo-nos que o machado está posto à nossa raiz: Ele executa o juízo de Deus, corta e, depois, as árvores improdutivas, cortadas, são lançados ao fogo inextinguível do inferno.
Precisamos fazer faxina. Pra que isso? Porque ele nos ama e quer o nosso bem, aqui nesse mundo e por toda a eternidade. Ele conhece a realidade do nosso pecado e para nos livrar do castigo que nossos atos mereciam, ele enviou o seu filho Jesus Cristo ao mundo. Somente ele tomou sobre si os nossos pecados, sofrendo, morrendo e ressuscitando e se tornando, dessa maneira, o único salvador de todo o mundo. É por isso que Pedro diz que “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).
       Pelo fato de termos sido chamados por Deus para a sua família e sabermos que, somente em Jesus há salvação, nos acrescenta a responsabilidade de testemunhar ao mundo que, diante de um coração arrependido, há um Deus que é rico em perdoar – Deus gosta tanto de perdoar que a Bíblia diz que, quando alguém é levado ao arrependimento, existe uma imensa alegria nos céus entre os anjos de Deus.
      Para que sejamos levados ao verdadeiro arrependimento, Deus constantemente fala conosco através da sua palavra. Nela, ele estende seus braços amorosos, dizendo: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Ele também diz: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).
     Para aquelas pessoas que tiveram a oportunidade de estar na frente de João Batista e ouvir o chamado ao arrependimento que Deus estava fazendo, através dele, foi fundamental para sua mudança de vida, tanto que as pessoas que tiveram os seus corações acertados pela pregação de João Batista e se tornaram penitentes preocupados, aceitaram humildemente a repreensão de João, reconhecendo os seus pecados, confiaram na graça perdoadora de Deus em Cristo, que dá forças para uma nova vida. Entretanto, aquelas pessoas não sabiam como mostrar a mudança que ocorreu na sua vida e, por isso, elas precisavam de instrução para viver uma vida santificada. Então, João Batista aplicou a palavra de Deus aos casos individuais.
      E nós, que orientações extraímos desse texto? Quando Deus nos chama a fazermos uma faxina geral e nos dá uma nova vida, ele nos ajuda a produzir os frutos dignos de arrependimento, nos ajuda a não deixarmos a poeira se acumular. Que frutos seriam esses? Aos pais, que eduquem seus filhos nos caminhos do Senhor; aos filhos, que honrem seus pais; aos patrões, que sejam justos com seus funcionários; aos funcionários, que trabalhem com honestidade e dedicação. A todos nós, nos mais diferentes estados, ofícios, momentos e lugares, Deus motiva e ajuda a viver uma vida obediente, fiel, zelosa, pacífica, moralmente decente, sem brigas, honesta e cuidadosa.
     Como nós não conseguimos cumprir essas coisas plenamente, contamos com o perdão gracioso que Deus nos dá em Cristo e com a motivação para continuar nos esforçando para viver uma vida cristã, produzindo frutos dignos de arrependimento.
Portanto, certos de que Deus nos chama ao arrependimento, vamos buscar forças no evangelho para vivenciá-lo no dia a dia. Que Deus nos ajude. Amém!

Texto: Lc 3.1-20

Tema: PRECISAMOS FAZER FAXINA